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Resenha: Minha irmã, a serial killer (Oyinkan Braithwaite)

Lembro bem de quando este livro foi lançado há alguns anos atrás e fiquei intrigada com o seu título, ainda não traduzido para o português na época (mas que recebeu uma tradução literal), e de como fiquei pensando sobre como seria essa trama envolvendo duas irmãs. Quem me acompanha sabe o quando amo suspenses e thrillers, então este título já foi direto para a minha lista de desejos. Ele ficou lá por bastante tempo, até que o CALMA - Clube Ativista Literário para Mulheres Ansiosas o escolheu para o encontro de outubro. Corri e garanti o meu na edição da Editora Kapulana, e após uma experiência de leitura que culminou numa discussão que deu o que falar, estou aqui para deixar as minhas considerações sobre a obra de estreia da nigeriana Oyinkan Braithwaite.

livro minha irma a serial killer

SINOPSE

Em Minha irmã, a serial killer (My sister, the serial killer), a nigeriana Oyinkan Braithwaite conta uma história ao mesmo tempo bem-humorada e assustadora sobre duas irmãs com temperamentos e atitudes bem diferentes uma da outra: Korede e Ayoola. Korede é amargurada, mas pragmática. Sua irmã mais nova, Ayoola, é a filha favorita, a mais bonita, e, possivelmente, com sérios distúrbios comportamentais. Seus três últimos namorados aparecem mortos. As duas irmãs desempenham papeis inusitados nessa trama de suspense e relações emocionais complexas. Oyn conduz a trama desse thriller psicológico com maestria que surpreende e encanta o leitor a cada página. Conta uma história cheia de suspense e mistério, com humor peculiar e ácido, sem deixar de lado a complexidade da mente de uma sociopata.


contracapa minha irma a serial killer

O livro é narrado por Korede, a irmã mais velha de Ayoola. Provenientes de uma família de classe média de Lagos, capital da Nigéria, ambas tiveram a infância marcada pela presença de um pai violento, agora já falecido. Elas dividem a casa com a mãe, que está sempre preocupada com o futuro matrimonial das filhas, mas enquanto Korede foca em seu trabalho como enfermeira, é Ayoola que parece ter mais futuro no quesito romance, se não fosse por uma razão: ela é uma assassina.

***

Logo de início temos contato com um desses atos da Ayoola, em que Korede acaba se envolvendo para auxiliar a irmã. Por ser bastante metódica e conhecer muito sobre métodos de limpeza, ela acaba sendo a dupla perfeita para acobertar o crime de Ayoola. O argumento da jovem para ter assassinado o seu até então namorado foi autodefesa, o que deixa Korede desconfiada por já ter lidado com uma situação semelhante com a irmã no passado. 

Você nunca sabe com homens, eles querem o que querem quando querem." p. 11

A narrativa de Ayoola nos deixa tentados a acreditar nela, mas na medida que vamos conhecendo a personagem vai dando pra perceber que há algo errado. Ela é extremamente manipuladora, e usa de sua beleza e capacidade de persuasão para conseguir tudo o que quer. Além disso ela demonstra não ter empatia, precisando muitas vezes ser alertada pela irmã sobre o seu comportamento. Korede tenta se enganar, acreditar na inocência da irmã, e até atribui simbologias aos seus atos. Mas a verdade parece clara: Ayoola é uma serial killer. 

Por alguma razão, não consigo imaginá-la esfaqueando alguém se aquela faca específica não estivesse em suas mãos; quase como se fosse a faca, e não ela, que estivesse matando. Mas é tão difícil acreditar nisso? Quem pode dizer com certeza que um objeto não tem suas próprias intenções? Ou que as intenções coletivas de seus antigos proprietários não continuam guiando seus propósitos?". p. 32-33

O livro se desenvolve como um drama familiar, já que as vidas dessas duas irmãs estão entrelaçadas e moldadas por acontecimentos traumáticos. Para além dos afetos e desavenças, temos ainda uma discussão sobre a beleza e o seu papel nas relações sociais; Korede sempre se coloca como uma mulher feia, de feições desagradáveis, enquanto a beleza de Ayoola se destaca onde ela passa, causando atração e/ou inveja. Tudo isso chega a um ponto de convergência quando Ayoola se aproxima de Tade, colega de trabalho de Korede e também seu amor platônico. Além de ciúmes, vemos em Korede o desespero de que Tade venha a ter o mesmo fim trágico nas mãos de Ayoola.

autora oyinkan braithwaite

Com suas poucas páginas este livro consegue nos fazer sentir ódio, compaixão e sobretudo uma tensão a respeito do desenrolar dos fatos. Os momentos finais me desapontaram um pouco, e sinto que alguns aspectos da obra poderiam ter sido melhor desenvolvidos (mesmo que isso significasse acrescentar mais páginas), mas de maneira geral fiquei bem satisfeita com esta experiência de leitura. Foi algo diferente, para além dos clichês que encontramos em muitos thrillers. 

A escrita da autora é fluída e o livro é dividido em capítulos curtos, de no máximo três páginas, o que torna a leitura mais dinâmica. O estilo de escrita da Oyinkan me agradou bastante, apresentando toques de humor e ironia em diversos pontos. O livro chega a ser colocado por alguns como um young adult, mas estou mais tentada a encarar como um suspense psicológico pautado no drama familiar. Uma mistura que, na minha opinião, foi um sucesso.

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ISBN: 978-85-68846-49-0

Editora: Kapulana

Nota: 4,5/5 ⭐

3 Comentários

  1. Caramba, parece muito interessante, inclusive nessa questão dela passar pano pra irmã, me lembrou um pouco uma série aí, hue.
    Ler essa sua resenha me fez sentir vontade de continuar lendo Dragão Vermelho ;P

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  2. Uma boa leitura com certeza, gostei bastante. A resenha muito bem feita por sinal, narrou com maestria o conteúdo. Pra quem não leu com certeza vai querer conhecer esta história incrivel.

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  3. Eu estou com esse livro na minha lista de desejados. Gostei das suas considerações. Pretendo ler em breve, pois adorei a premissa

    Sai da Minha Lente

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