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Resenha: Estrela Vermelha (Aleksandr Bogdánov)

Ter lido Crime e Castigo em fevereiro me deixou curiosa para conhecer outras obras e autores da literatura russa, já que até agora eu só havia lido Dostoievski e Tolstoi. Vi a @ratoledo recomendando Estrela Vermelha e quando vi que ele estava disponível no Kindle Unlimited resolvi dar uma chance! O livro foi uma das minhas leituras de março e hoje irei compartilhar as minhas percepções sobre a obra com vocês.

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SINOPSE


Leonid, cientista russo e revolucionário bolchevique, é convidado por um estranho camarada de codinome Menny a fazer uma expedição ao planeta Marte. Após aceitar o convite, Leonid encontra no planeta vermelho uma sociedade igualitária, apátrida, sem propriedades privadas, estratificação social ou alienação do trabalho, de alto nível intelectual, tecnológico e científico, em que a democracia prospera e os homens e as mulheres são verdadeiramente livres.
Publicada em 1908, esta ficção científica de Aleksandr Bogdánov combina a experiência revolucionária do autor e seus conhecimentos em diversas áreas (como física, matemática, astronomia e geografia) para construir o retrato de uma sociedade técnico-científica em que triunfou a revolução socialista, servindo de espelho e de guia para as lutas terrenas, e nos fazendo imaginar, a cada página, outro mundo possível.


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A proposta de uma utopia comunista me deixou de cara muito intrigada, e quando descobri que o livro também envolvia marcianos e uma viagem pelo espaço fiquei ainda mais curiosa pela leitura. Os primeiros capítulos situaram o cenário que parecia estar por vir e se mostrava promissor, mas não chegou nem um pouco próximo do que eu imaginava...

Logo de cara conhecemos o terráqueo Leonid e o marciano Menny, que numa conversa entram no acordo de viajar para Marte numa experiência intelectual exploratória. A sociedade marciana demonstra ser bastante igualitária e cientificamente desenvolvida, e muitas das conversas de Leonid com outros marcianos são sobre isto. Essa nova realidade impressiona o protagonista, que desde a nave vai fazendo paralelos entre aquela forma de vida e a vida na terra.

A escravidão era absolutamente desconhecida aos marcianos; seu feudalismo foi muito pouco militarizado; e seu capitalismo se libertou muito cedo da fragmentação em Estados-nações, não tendo criado nada semelhante a nossos exércitos modernos"

É exatamente nessas diferenças que mora a utopia: Marte parece ser o lugar em que tudo deu certo, e mesmo tendo passado por períodos parecidos com os da Terra, contornou os problemas com bem mais sucesso que o nosso planeta. O livro funciona então quase que como um artifício para mostrar ao leitor como o comunismo poderia trazer maravilhas para a nossa sociedade, e considerando que o próprio autor fazia parte do movimento bolchevique isso faz muito sentido. 

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Mas se por um lado o livro cumpre com um objetivo político interessante, por outro ele parece falhar como ficção científica. Mesmo considerando que a obra é do início do século XX e inevitavelmente datada, acho que são poucos os elementos característicos deste gênero presentes nela. Gostaria de ter visto mais da própria Marte, como descrições de seu território e suas tecnologias, mas o autor se prende muito aos aspectos sociais e há trechos que chegam a ser maçantes. Há um capítulo inteiro só sobre uma espécie de assembleia dos marcianos que nossa, foi quase insuportável de ler. 

Não me levem a mal: eu gosto muito de ler discussões políticas e filosóficas em obras de ficção. Mas acho que a premissa desta obra poderia levar a caminhos bem diferentes, mais empolgantes, com melhores desdobramentos. Não rolou. Procurando sobre o livro vi diversas opiniões diferentes a respeito dele, o que me faz reiterar que literatura nunca é consenso. O livro não atingiu as minhas expectativas, mas pode atingir as suas. Vale dar uma chance se o tema te interessa.

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ISBN: 978-85-7559-760-6

Editora: Boitempo

Nota: 2/5⭐

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