Que leitora eu quero ser?

A virada de ano costuma vir acompanhada de listas: livros para ler, metas para bater, hábitos para mudar. Mas, ao olhar para o horizonte de 2026, a pergunta que ecoou na minha mente não foi "o que", mas "como". Diante de uma rotina cada vez mais mediada por notificações, senti a necessidade de silenciar o ruído externo para reencontrar a minha própria voz como leitora.

leitura

Detox das redes sociais 

A primeira grande decisão deste ano foi o detox de redes sociais, especialmente o Instagram. Percebi que o tempo de tela estava drenando o tempo que eu poderia dedicar ao lazer real. Quero que a leitura recupere esse espaço de refúgio, e não seja apenas mais uma tarefa entre abas abertas e scrolls infinitos.

Somado a isso, tomei uma decisão difícil, mas libertadora: não firmar parcerias fixas com editoras em 2026. Embora eu valorize muito essas pontes, o compromisso logístico de prazos e recebidos acaba ditando o que eu leio. E, quando a pilha de cortesia cresce e eu não dou conta, a frustração substitui o prazer. Estou com mais de 150 livros não lidos na estante e é para eles que quero olhar agora. Quero a liberdade de escolher o próximo título apenas pelo desejo de abri-lo.

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A leitora que quero ser

Pensando no futuro, decidi colocar em palavras o tipo de leitora que estou cultivando. Não são metas novas, mas pontos que quero que definam a minha relação com a literatura:

  • Leitura por prazer, não por performance: Em um mundo de "desafios de leitura", escolho o ritmo que a obra me pede.

  • A crítica como diálogo: Quero manter o olhar atento. Para mim, a leitura crítica independe do gênero: seja um thriller ágil ou um ensaio denso, o compromisso com a análise e o questionamento permanece.

  • O livro como objeto vivo: Quero anotar nas margens, colar post-its, discordar do autor. Ler é um diálogo, e as marcas nas páginas são as cicatrizes dessa conversa.

  • O direito ao abandono: Se a leitura não flui, não há vergonha em fechar o livro. O tempo é curto demais para insistir em histórias que não nos prendem. 

  • O blog como praça pública: quero resenhar todas as minhas leituras aqui, tornando os posts mais frequentes e abrindo possibilidades de conversas com outros leitores.

  • A pluralidade como norte: Continuar buscando autores de diversas cores, raças, nacionalidades e sexualidades. A literatura é a janela para mundos que eu não habito, e quero que essa vista seja a mais ampla possível.

Tudo isso eu já venho tateando ao longo da última década aqui no blog mas, em 2026, quero que esses princípios sejam o alicerce do meu trabalho e da minha identidade literária. Quero ser reconhecida não pela quantidade de livros que recebo ou pela velocidade com que leio, mas pela profundidade das conexões que construo com cada obra.

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