Diferentemente de obras como Deadpool & Wolverine e Space Jam 2, que lidam com um catálogo vasto de conteúdos e escolhem fazer homenagens vazias aos ícones de suas marcas, Coyote vs. Acme sabe exatamente o que quer fazer e se destaca justamente por isso. Os personagens do universo Looney Tunes servem muito mais para compor a jornada do Coyote e de seu advogado, Kevin, do que para roubar a atenção para si. Há até uma sequência que resgata o traço antigo das animações do Coyote contra o Papa-Léguas, acompanhada por um humor melancólico: décadas se passaram, mas o personagem continua preso ao mesmo ciclo de tentar capturá-lo.
O elenco humano reconhece o tom absurdo da obra e entrega performances exageradas sem ultrapassar o ponto, contribuindo para essa atmosfera cartunesca. John Cena talvez seja quem melhor aproveita isso: ele interpreta um vilão corporativo saído de um desenho animado, constantemente debochando da inocência do atrapalhado Kevin.
A comédia de situação também funciona muito bem ao explorar a destruição dos cenários em live-action, remodelando os ambientes para uma estética plástica e caricatural. Em vários momentos, objetos animados interagem com elementos reais, criando um efeito cômico que evidencia o absurdo daquele universo. A piada do juiz com um martelo animado acompanhado por um som fofo foi, de longe, a que mais me arrancou risadas.
A comédia de situação também funciona muito bem ao explorar a destruição dos cenários em live-action, remodelando os ambientes para uma estética plástica e caricatural. Em vários momentos, objetos animados interagem com elementos reais, criando um efeito cômico que evidencia o absurdo daquele universo. A piada do juiz com um martelo animado acompanhado por um som fofo foi, de longe, a que mais me arrancou risadas.
É uma obra que acredita na dimensão lúdica de seu material original e procura aproveitá-la por meio da metalinguagem. Há até uma reflexão sobre se esse humor violento ainda cabe nos dias de hoje, considerando que os personagens sofrem danos constantemente por conta dos equipamentos da ACME. O longa não tenta moralizar completamente essa questão, até porque isso entraria em conflito com a própria natureza cômica dos Looney Tunes. Em vez disso, encontra maneiras de explorar as consequências dramáticas que toda essa destruição pode causar aos personagens.
A metalinguagem também surge na constante luta dos perdedores contra grandes corporações. Por mais que o escândalo envolvendo o cancelamento do longa possa soar como uma peça publicitária da Warner para promover a própria obra, a produção realmente abraça essa narrativa sem ignorar o poder que esses impérios empresariais exercem.
No fim, a beleza está justamente na ideia de que os desenhos animados podem reconstruir a crença do ser humano no bem e na justiça. Vale a pena salvá-los.


0 Comentários
Postar um comentário