SINOPSE
As odes aqui reunidas são o resultado desse trabalho a quatro mãos; cada uma é dedicada a um animal específico: ao cavalo, ao elefante, mas também à borboleta, ao gato e ao lagarto... ou à aranha, a quem o eu lírico gostaria de pedir que lhe tecesse uma estrela.
Essas criaturas testemunham o charme primitivo e vital da terra ancestral de Neruda. O eu lírico se torna um albatroz, prestes a morrer nas areias das praias chilenas; quer conversar com porcos e cavalos, quer aprender com os gatos, orgulhosos e indiferentes, celebrar a beleza das borboletas, o coaxar dos sapos.
A inconfundível voz do poeta adquire, nesta edição, uma força gráfica e ressoa ainda mais forte nestas páginas. Com prefácio da poeta cubana Reina María Rodríguez.
Bestiário reúne poemas dedicados a diferentes animais e foi uma leitura que preferi fazer aos poucos, apreciando alguns poemas por vez. Não é um livro em que todos os textos funcionaram da mesma maneira para mim. Alguns poemas fizeram mais sentido, enquanto outros me deixaram um pouco perdida, sem que eu conseguisse compreender exatamente o que Neruda pretendia dizer. Ainda assim, existe uma beleza muito particular no conjunto.
O que mais me chamou a atenção em Bestiário foi perceber o quanto Neruda parece atento aos detalhes. Há algo de bucólico na obra, uma espécie de encantamento diante da natureza e das diferentes criaturas que fazem parte dela. O poeta observa os animais com curiosidade e encontra neles imagens e possibilidades para sua poesia.
Talvez por isso eu recomende Bestiário especialmente para quem consegue encontrar beleza em todo tipo de criatura. Neruda não parece interessado apenas nos animais que geralmente são considerados bonitos. Há espaço para diferentes formas, tamanhos e características, e justamente esse olhar torna a leitura interessante. O livro foi, para mim, uma primeira apresentação muito agradável à poesia de Pablo Neruda. Não sei se era a obra que eu imaginava encontrar quando finalmente chegasse ao autor, mas gostei de conhecê-lo através desse olhar tão atento para a natureza.

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