Eu fui assistir ao novo filme de Resident Evil sem exatamente saber o que esperar. A recepção estava sendo bastante positiva, então cheguei ao cinema buscando, no mínimo, uma experiência divertida, composta por uns bons sustos, claro. E já adianto: isso ele entregou muito bem, viu?
Gostaria de começar fazendo a ressalva de que não sou uma grande conhecedora de Resident Evil. Nunca joguei os jogos, apesar de ser casada com um fã da franquia que já jogou quase todos (tem comentário dele no final o post). Então, ao longo dos anos, fui descobrindo sobre esse universo por tabela. Também já tinha assistido ao primeiro dos filmes antigos protagonizados por Milla Jovovich. Ou seja: não fui completamente no escuro, mas também não estava chegando ao cinema com a expectativa de encontrar na tela cada referência que um fã dos jogos reconheceria.
Eu amo filme de outbreak. Amo essa coisa de acompanhar o momento em que os zumbis começam a surgir e as pessoas simplesmente não fazem ideia do que está acontecendo. Mas aqui, o protagonista está tendo um dos piores dias da vida dele mesmo antes de os primeiros zumbis aparecerem.
Bryan é um jovem adulto super enrolado, e quando o apocalipse começa, a situação dele só consegue piorar. E ele é ótimo justamente porque ver aquele homem tentando sobreviver é muito engraçado. Tudo dá errado com o coitado. Quando parece que finalmente vai conseguir resolver um problema, aparece outro. E os zumbis? Nossa vey, teve de tudo. Teve zumbi humano, zumbi cachorro, zumbi criança, zumbi que explode, que cospe, que tem tentáculos, e o c#ralho a 4. Vários deles, inclusive, me lembraram muito Left 4 Dead, esse sim um jogo de zumbis que eu já joguei muito.
O filme também acerta muito na variedade dos cenários. Passamos pelas ruas da cidade, por rede subterrânea de esgoto, hospital... E cada ambiente parece funcionar como uma nova fase, com um tipo diferente de ameaça. Existe uma progressão muito gostosa de acompanhar, porque você nunca sabe muito bem o que vai aparecer no próximo lugar, assim como costuma ser em jogos. E a alternância entre a primeira e a terceira pessoa faz com que a gente se sinta em vários momentos como se estivesse de fato jogando, com uma arma e uma lanterna na mão.
Também existem aqueles pequenos "puzzles" tão comuns em jogos desse tipo: encontrar alguma coisa, procurar uma chave, descobrir como abrir uma porta ou entender o que fazer com determinado objeto. E os cadeados aparecem tantas vezes que viram uma piada recorrente. Talvez até demais? Em dado momento eu já estava pensando: "Meu Deus, de novo um cadeado?"
A Umbrella Corporation, por sua vez, fica bem mais em segundo plano. A gente entende que a empresa tem relação com o que está acontecendo, mas o filme não perde muito tempo explicando toda a história da organização, seus experimentos e suas motivações. Para mim, foi uma escolha acertada. Já temos bastante coisa acontecendo e seria muito fácil transformar o filme em uma exposição interminável sobre a lore de Resident Evil.
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Entendo que quem esperava um filme de terror mais sério possa ter se decepcionado, porque ele abraça bastante a comédia. Mas achei que o filme encontrou um equilíbrio muito bom entre as duas coisas. O humor vem principalmente das situações em que o protagonista se enfia, então não parece que simplesmente colocaram uma piada no meio de uma cena de tensão. O cara está genuinamente desesperado e, por isso mesmo, é engraçado.
Como alguém que não jogou os jogos, gostei de poder entender o suficiente para acompanhar a história sem precisar conhecer toda a franquia. Para quem é fã, porém, claramente existem várias camadas de referências que passam despercebidas para quem está chegando agora. E foi justamente por isso que pedi para o meu marido deixar um comentário pra essa resenha (pode conter spoilers):
Foi interessante ver vários elementos dos jogos, como os puzzles com chaves e cadeados, a máquina de escrever que é marcante por ser a forma de salvar o progresso no jogo, os recursos escassos, a busca por itens e as trocas de armas. Também gostei da presença de um zumbi perseguidor, das mutações e dos audiologs, que lembram os registros encontrados nos jogos.
O protagonista é carismático e inexperiente, mas vai aprendendo a lidar com a situação. E gostei muito do sentimento de desespero, de não saber o que vai aparecer quando o personagem virar uma esquina ou olhar dentro de um carro. A casa da fazenda, com os quadros e animais empalhados, me lembrou muito o jogo 2 e o 7. E achei interessante também o laboratório de uma empresa high-tech dentro de um hospital, os cientistas que tomam decisões péssimas, e vários outros elementos que foram um aceno aos jogos." - Ranniery Dias
No fim, saí do cinema com a sensação de que Resident Evil sabia exatamente que tipo de filme queria ser. Ele quer assustar, quer ser engraçado, quer mostrar criaturas cada vez mais absurdas e quer reproduzir na tela algumas das sensações de jogar um survival horror.
Para mim, foi uma experiência muito divertida e bem executada. Cumpriu exatamente o que eu queria quando entrei naquela sala: bons sustos, muitos zumbis e um protagonista tendo um dia absolutamente desgraçado. Super recomendo!

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