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Resenha: Tomates Verdes Fritos no Café da Parada do Apito (Fannie Flagg)

No geral, eu costumo gostar bastante de livros que misturam diferentes tempos dramáticos. Esse foi um dos elementos apelativos para mim em Tomates Verdes Fritos, obra da americana Fannie Flagg, além do fato de ele figurar na lista de favoritos de muita gente. Essa foi uma das minhas primeiras leituras desse ano e hoje irei compartilhar as minhas impressões sobre o livro.

livro tomates verdes fritos

SINOPSE

Combinando humor irresistível a uma narrativa comovente, Fannie Flagg conta a história do Café da Parada do Apito, em um vilarejo isolado do Alabama – um dos estados mais pobres e repressivos dos Estados Unidos, marcado por sua rígida observação dos papéis sociais e sexuais e por uma inexorável hierarquia racial. Inaugurado pelo singular casal formado por Ruth ― doce e reservada ― e Idgie ― ousada e libertária –, o Café torna-se ponto de encontro para os tipos humanos mais diversos e improváveis: sonhadores extravagantes, bandidos insólitos, sem-tetos vítimas da Depressão.
Fannie Flagg usa capítulos curtos que alternam épocas ― a década de 1980, as primeiras décadas do século XX, os anos 1930 ―e histórias superpostas para criar um rico painel humano e social. O livro mistura as histórias do Café com os encontros casuais entre a dona de casa infeliz Evelyn Couch e a octogenária sra. Threadgoode numa casa de repouso. As protagonistas das memórias da sra. Threadgoode são Idge e Ruth, que quebram convenções e enfrentam todo tipo de ameaças e preconceitos. Ao longo de suas conversas, Evelyn acaba recuperando sua identidade e a sra. Threadgoode retoma seu próprio passado.


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Essa história parte do ano de 1991, onde somos apresentados à Evelyn Couch, uma mulher de meia idade, insatisfeita com a vida e também com a tarefa de visitar a sofra em sua casa de repouso. Entretanto é neste lugar que ela vai conhecer uma grande amiga: Ninny Threadgoode, uma senhora engraçada e simpática, e que ama compartilhar histórias de seu passado. As principais têm Idge e Ruth como protagonistas, e se passam entre as décadas de 20 e 80.

Engraçado, quando a gente é criança, pensa que o tempo nunca vai passar, mas quando chega lá pelos vinte, o tempo passa como se a gente estivesse no expresso para Memphis." p. 12

São histórias curiosas, que envolvem romances, brigas e também a triste realidade racista da época. Evelyn passa a visitar Ninny com cada vez mais frequência para saber mais sobre tudo isso, que lhe parece muito interessante. Nessas histórias sabemos como Idge e Ruth se apaixonaram e como elas abriram o Café da Parada do Apito, famoso por seus deliciosos tomates verdes fritos, no Alabama. 

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Escrito em terceira pessoa, o livro alterna entre os relatos de Ninny e narrações com a descrição fiel das cenas, além de conter recortes de jornais e notícias. É interessante como todas essas histórias do passado dos moradores da Parada do Apito vão afetando a vida de Evelyn, que como ouvinte vai absorvendo aquelas informações e repensando muitos de seus comportamentos, além de também ser influenciada pelos conselhos da própria Ninny. 
O livro traz muitas lições sobre a vida, sobre o que realmente importa, sobre amizades, amor e solidariedade. Tudo isso de maneira fluída, de uma forma gostosa de ler. 

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A questão racial é algo complicado de se analisar aqui. Estamos falando de uma autora branca escrevendo um livro na década de 80 que fala sobre racismo e a KKK nas décadas de 20-30. Até que ponto o livro é fiel a essa realidade? Difícil dizer. O uso de alguns temos me incomodaram, mas não acho que é algo passível de cancelamento. Percebi que a autora teve um cuidado especial ao escrever essas cenas, mas realmente fiquei me questionando quão a fundo ela foi em suas pesquisas para tratar desse tema, e vi alguns comentários de outros leitores nesse sentido lá no Goodreads

No fim das contas foi fácil perceber o por que de esse livro ser tão amado por tanta gente. A trajetória de todos os personagens é cativante, e assim como Evelyn nós ficamos curiosos para saber mais sobre aquelas vidas na medida em que lemos. Idge e Ruth são um casal e tanto, mas há também os outros membros da família e os funcionários do Café com suas peculiaridades que nos fazem querer conhecer todos eles. 


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Algo bem legal do livro é que no final ele tem essas receitas do Café, incluindo a dos Tomates Verdes Fritos! Recomendo muito a leitura para quem está buscando se divertir com uma leitura profunda, fluída e repleta de ensinamentos. Agora tudo o que quero é arrumar um tempinho para assistir a adaptação cinematográfica, que também faz um sucesso danado há décadas. Conta nos comentários se você já viu! 


ISBN: 978-85-250-652-92
Editora: Globo Livros
Nota: 4/5⭐

1 Comentários

  1. Eu assisti ao filme sim, mas faz bastante tempo e tenho poucas lembranças, confesso,mas estou muito curiosa para ler o livro depois de ler esta resenha e assistir novamente o filme também 👏🏼👏🏼♥️

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