Já fazia um bom tempo que eu ouvia falar deste livro do Andy Weir, sempre com ótimas recomendações. Não sou uma grande leitora de ficção científica, mas quando vi que a trama ganharia uma adaptação para o cinema, e com o Ryan Gosling como protagonista, resolvi dar uma chance ao livro. Consegui ler a tempo de pegar ele no cinema, e hoje compartilho com vocês a minha opinião a respeito de ambas as produções.
SINOPSE
Ryland Grace é o único sobrevivente de uma desesperada missão de
emergência ― se ele falhar, toda a humanidade e o planeta Terra serão
destruídos.
Mas no momento ele não sabe disso. Ryland não se lembra
nem do próprio nome, muito menos de sua missão ou de como cumpri-la.
Tudo o que ele sabe é que dormiu por muito, muito tempo. E que despertou
a milhões de quilômetros de casa, com apenas dois cadáveres como
companhia.
Com os colegas de tripulação mortos e as memórias
confusas retornando aos poucos, Ryland vai perceber a tarefa impossível
que tem nas mãos. Viajando pelo espaço em sua pequena nave, cabe a ele
descobrir a resposta para um enorme mistério científico ― e derrotar a
ameaça de extinção da nossa espécie.
O tempo está acabando, e o humano mais próximo está a anos-luz de distância, então Ryland terá que fazer tudo isso sozinho.
Ou será que não?
Acho que algo essencial para fazer alguém escolher ler uma ficção científica é o conceito. Teremos novas tecnologias? uma epidemia? viagens ao espaço? ETs? No caso de Devoradores de Estrelas, temos um astronauta sozinho no espaço e a humanidade dependendo dele para continuar existindo. Sendo que ao acordar em sua nave, ele não lembra nem mesmo o seu nome. Isso me intrigou, pareceu promissor, e as primeiras páginas foram bem instigantes. Pouco ao pouco fomos descobrindo qual era a do Ryland Grace, o porquê de ele estar ali e o esforço necessário que ele teria que desprender para executar sua missão.
Nesse ponto eu precisarei adentrar um pouco mais na história, para além do que a sinopse revela, mas não considero grandes spoilers. Entretanto, indico que siga com cautela caso ainda não tenha lido este livro. A medida que Ryland Grace explora a nave e descobre um pouco mais sobre si mesmo, vamos vendo o quão inteligente ele é, e tendo contato com toda a discussão científica que envolve a trama. Achei isso bem interessante no começo, pois vários conceitos legais foram apresentados e senti que aprendi bastante com o livro, que apresenta tudo isso numa linguagem clara e tranquila de entender.
Ao chegar ao local definido para sua missão, Grace se depara não apenas com a estrela Tau Ceti, mas com uma nave alienígena misteriosa. Esse encontro renderá desenrolares centrais para a narrativa, o que inclui o contato de Grace com um outro ser. Eu imaginava que algo assim fosse acontecer, afinal, mesmo com os capítulos que intercalam o presente e o passado de Grace, seria difícil sustentar o livro inteiro com ele sozinho naquela nave. E nossa, a relação que surge aqui foi o auge do livro.
Entretanto, da metade para o final eu sinto que o papo científico se perdeu em uma narrativa difícil de aceitar. Veja, se na primeira metade do livro houve um certo compromisso com a veracidade, pra quê fugir tanto da realidade com soluções inacreditáveis? Isso me chateou, pois em casos assim sinto que o autor está fazendo o leitor de bobo, dizendo "foi assim que tudo se resolveu" e querendo que eu engula isso sem grandes explicações. E foi assim que conclui a leitura decepcionada.
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Não me leve a mal, existem bons elementos aqui. Entendo porquê tanta gente amou. Mas consegui entender também as resenhas de 1 estrela que encontrei no goodreads. Não vou ser oito nem oitenta: a história me entreteve, me deixou curiosa até o final, mas não terminou da maneira instigante que começou. Quanto à escrita do autor, sinto que a narração em primeira pessoa nos aproxima bastante daquele personagem sozinho no espaço, e é legal estar por dentro das elucubrações da mente dele. Foi um texto fluído, que soube ser dramático quando tinha que ser e leve quando precisava aliviar a tensão.
Mas e o filme?
Sabe essa parte leve da escrita do autor que eu acabei de citar? Acho que o filme extrapolou isso. Assisti com a minha família e, tendo eu sido a única a ter lido o livro antes, tivemos opiniões bem diferentes. Eles curtiram, acharam o filme divertido e engraçado, e o meu problema foi exatamente com isso. Essa história não é pra ser engraçada! O livro é muito mais dramático, e chega a figurar como thriller em alguns lugares, pela tensão construída. Senti que o filme aliviou demais, com muitas piadinhas, cenas cômicas, festas e blablabla. Talvez tenha funcionado para boa parte do público, mas imagino que não fui a única a me incomodar com essa mudança ao comparar com o livro.
É um filme legal, bom de ver com a família e, como vi uma amiga dizer sobre ele, tem aquele ar de "sessão da tarde". Gostei do Ryan Gosling no papel de Grace, mas sinto que a atriz Sandra Hüller, que fez uma personagem super importante do livro, poderia ter sido melhor aproveitada no filme. Houve algumas adaptações no enredo também que eu achei positivas, que tornaram mais fácil a transposição das páginas para a tela. Isso deu uma balanceada na minha avaliação. Foi legal ver tudo o que li representado ali, pois muita coisa eu não conseguia imaginar como seria de verdade, e ali estava. Não é um filme pra se comparar com "Interestelar" ou "A chegada", mas é um filme que entretém. E tem dias que isso é o suficiente.
ISBN: 978-8556511218
Editora: Suma
Nota: 3/5 ⭐


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