Eu comecei a ouvir Como arruinar um casamento no ano passado, logo após assinar o Audible,
buscando algo leve, sabe? Aquele "romancezinho" para relaxar nos ônibus
de volta para casa. O título, que parece saído de um filme da sessão da
tarde, sugere uma comédia romântica descompromissada, mas o que
encontrei foi uma obra densa, profunda e absurdamente real sobre ser um adulto em crise.
SINOPSE
Em
uma bela manhã de verão, Phoebe Stone resolve se hospedar na Pousada
Cornwall. Logo é confundida com os outros hóspedes do hotel, convidados
de um casamento particular. A noiva, que passou um ano inteiro
organizando cada detalhe de seu casamento, tem certeza de que tudo está
conforme o planejado. Bom, exceto pela presença de Phoebe.
Mas, para a
surpresa de todos, essas duas mulheres, tão diferentes entre si e em
momentos de vida tão distintos, ficam cada dia mais próximas. Uma
amizade improvável e inesperada que pode mudar a vida das duas.
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ALERTA: A resenha a seguir não apresenta grandes spoilers, mas vai além do conteúdo da sinopse do livro.
A história nos apresenta Phoebe Stone, uma professora de literatura vitoriana que chega ao luxuoso Cornwall Inn, em Newport, sem bagagem e com um plano sombrio: ela pretende colocar um fim à própria vida. Após um divórcio devastador e anos de tentativas frustradas de fertilização in vitro, Phoebe sente que não restou nada de si mesma. O que ela não esperava era que o hotel estivesse dominado por um evento que dura uma semana inteira: o casamento de Lila e Gary.
Ao ser confundida com uma convidada, Phoebe acaba se tornando a
confidente improvável da noiva, e esse cenário de "penetra" em um evento
chiquérrimo traz o alívio cômico necessário para equilibrar temas tão pesados como depressão, luto e suicídio.
Um
dos pontos altos do livro é a construção das personagens. Phoebe é
extremamente relacionável para qualquer pessoa que já tenha se sentido
estagnada. Ao mesmo tempo que sentimos empatia pela sua "fossa", há
momentos em que dá vontade de sentar ao lado dela e gritar: "mulher, acorda! Você tem tanto potencial, bora viver!".
Alison Espach é magistral ao mostrar como Phoebe chegou àquele estado de entorpecimento. A dinâmica com Lila,
a noiva que parece ter a vida perfeita, mas que também carrega suas
próprias angústias e solidões, revela que ninguém é tão feliz quanto
pode aparentar. Já Gary,
o noivo, é uma figura melancólica e cativante que, assim como Phoebe,
está tentando redescobrir o que é a felicidade após uma grande perda.
Embora
o livro flerte com situações que parecem saídas de um filme, como uma
aula de surfe desastrosa ou confissões em jacuzzis às quatro da manhã, a
narrativa sustenta que a vida, às vezes, é realmente cinematográfica em
seus absurdos. As reflexões de Espach sobre o casamento e sobre a responsabilidade individual de cuidar de si mesmo são muito pertinentes e atuais. Fui surpreendida positivamente por este livro. Ele não é apenas sobre uma crise, mas sobre o recomeço de quem já não via saída.
Dica de ouro: Se você gosta de audiobooks, recomendo fortemente a experiência pelo Audible. A narração traz uma camada extra de emoção e humor que torna Phoebe uma
companhia inesquecível para o dia a dia. Gostei tanto que depois
resolvi adquirir minha cópia física do livro, para eternizá-lo na minha
estante.
ISBN: 978-65-5970-449-1
Editora: Harlequin
Nota: 4,5/5 ⭐
Gostou da resenha? Você também pode se interessar pela minha análise de Os sofrimentos do jovem Werther, um clássico que explora as profundezas da melancolia. Não deixe de comentar o que você achou dessa história!
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