Me encontro envergonhado por não ter assistido ainda o clássico de Romero, pai do cinema de zumbis, “Despertar dos Mortos”. Assisti ao bom remake, Dawn of the Dead, feito pelo Zack Snyder, mas nunca cheguei a ver o original. Ainda assim, a presença do shopping persevera Romero e se encontra em Snyder, vai até The Last of Us, e aparece novamente aqui em Colony (Zona Zero, na tradução brasileira). E porque começar esse texto com um filme que eu não vi? Porque mesmo sem ver, reconheço a obsessão em Romero, ou melhor, a obsessão pelo shopping, que nos leva a obsessão pelas imagens.
SINOPSE
O que deveria ser apenas uma conferência sobre avanços científicos rapidamente se transformou em um pesadelo sem saída. Se-jeong, uma professora de biotecnologia, participa de um importante encontro acadêmico quando um vírus de rápida mutação é liberado, mergulhando o local no caos. Conforme a infecção se espalha, os contaminados passam por transformações aterrorizantes, tornando impossível distinguir aliados de ameaças. Com as autoridades isolando completamente a instalação para tentar conter o surto, os sobreviventes se veem presos em uma luta desesperada pela sobrevivência. Enquanto o medo cresce e a ordem entra em colapso, Se-jeong precisa usar seus conhecimentos para encontrar uma saída antes que a mutação torne qualquer esperança impossível
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Existe um humor meio mórbido em como os zumbis de Zona Zero são inicialmente atraídos por figuras humanas, que usam uma imagem de propaganda para despistá-los, mas aos poucos esses monstros vão se adaptando às condições impostas pelo grupo de sobreviventes. Ou seria o contrário? De toda forma, gosto como o longa todo estabelece esse jogo de adaptação, em que Se-jeong, líder do grupo, precisa localizar o que o shopping tem a oferecer para salvar a si mesma e os outros. Existe até uma sequência com o uso de câmera de seguranças em que é usado para guiar os personagens. A imagem tanto aprisiona como os liberta.
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Rola uma forçação em como o filme tenta dramatizar todo o elenco. O grupo de adolescentes não tem nada a oferecer além de um bullying vazio e umas gritarias genéricas. De longe os menos humanos dali. Entretanto, eu gosto quando o drama está em função de tornar mais cartunesco seus personagens. É o segurança que vira um herói de ação e sai matando todo mundo, é o vilão que controla zumbis, utilizando a linguagem da internet, para “farmar aura”, e um desfecho que, para mim, virou um verdadeiro filme de guerra nas ruas.
É um filme que acredita nas suas piras cartunescas e abraça isso, mesmo com as limitações do elenco. Acho que chegou a hora de eu finalmente assistir “Despertar dos Mortos” do Romero…


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